UNICAST: Saúde mental ganha espaço na medicina e expõe novos desafios

  • 17/09/2026
(Foto: Reprodução)
Ansiedade, depressão e burnout deixaram de ser temas restritos aos consultórios psiquiátricos e passaram a fazer parte das conversas em empresas, escolas e famílias. Mas o aumento da visibilidade desses transtornos não significa necessariamente que a sociedade esteja adoecendo mais. Para o psiquiatra Antônio Carlos de Carvalho Reiners, o cenário atual combina maior capacidade de diagnóstico, redução do estigma e mudanças no ambiente em que as pessoas vivem. Reprodução Assessoria | Unimed Cuiabá Em entrevista ao Unicast, da Unimed Cuiabá, o especialista explicou que transtornos depressivos, psicóticos e de humor sempre existiram. A diferença está, principalmente, na capacidade atual da medicina de identificá-los com maior precisão e no fato de que mais pessoas se sentem à vontade para procurar atendimento. Ao mesmo tempo, Reiners chama atenção para fatores contemporâneos que aumentam a pressão emocional. O uso permanente de tecnologia, a exposição às redes sociais e o excesso de informações criam um ambiente de estímulos constantes, associado a quadros de ansiedade e angústia. Um dos pontos destacados pelo psiquiatra é o contato cada vez mais precoce das crianças com telas. Segundo ele, esse processo pode interferir no desenvolvimento de habilidades emocionais importantes, entre elas a capacidade de lidar com limites, negativas e frustrações. Ao abordar o tema, o médico citou uma máxima atribuída a Carl Jung para resumir a relação entre frustração e busca por alívio: quem não aprende a lidar com as dificuldades da vida tende a procurar esse alívio na farmácia. A reflexão também ajuda a explicar por que o tratamento da saúde mental não pode ser reduzido ao uso de medicamentos. De acordo com Reiners, a psiquiatria dispõe atualmente de medicamentos capazes de controlar sintomas de ansiedade e depressão. A medicação, porém, não substitui o trabalho de compreender os conflitos e experiências que estão por trás do sofrimento. Nesse processo, a psicoterapia tem papel complementar ao tratamento médico, permitindo investigar questões emocionais e padrões de comportamento que não são resolvidos apenas pela ação dos medicamentos. O acompanhamento também pode envolver psicólogos, grupos de apoio e outras formas de suporte. O especialista também chama atenção para a necessidade de diferenciar sofrimento psicológico de transtornos psiquiátricos. Uma perda, por exemplo, pode provocar um processo natural de luto e não necessariamente representa uma doença. A avaliação profissional passa a ser especialmente importante quando os sintomas persistem, comprometem a rotina ou aparecem associados a fatores de risco, incluindo predisposição genética. Outro fenômeno citado pelo médico é a somatização. Pessoas com ansiedade ou depressão podem apresentar insônia, cansaço, dores e outros sintomas físicos e, por isso, procurar diferentes especialidades médicas em busca de uma causa orgânica. Quando exames e avaliações não identificam alterações físicas que expliquem os sintomas, a investigação psiquiátrica pode ajudar a compreender a origem do quadro. Psiquiatra Antônio Carlos Reiners - CRM MT 964 - RQE Nº: 791 Unimed Cuiabá - Registro ANS: nº 34208-4

FONTE: https://g1.globo.com/mt/mato-grosso/especial-publicitario/unimed-cuiaba-unimed-cuiaba-ha-50-anos-cuidando-de-geracoes/noticia/2026/09/17/unicast-saude-mental-ganha-espaco-na-medicina-e-expoe-novos-desafios.ghtml


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